Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2018
NOTICIANDO
Artigo: As velhas práticas na campanha política
25/10/2016

*Por: José Carlos de Oliveira Robaldo

Fala-se muito em novos tempos, novos hábitos etc, entretanto, na política, sobretudo nas respectivas campanhas, a prática do vale-tudo, ofensas pessoais e familiares, permanece a mesmice de sempre. Ou seja, “tudo como dantes no quartel de Abrantes”. Carente de propostas, mas recheada de ataques. O importante não é dizer a que veio, mas sim procurar destruir o adversário e levá-lo nocauteado às urnas. Autêntico maquiavelismo, o que importa é o propósito final: eleger-se. É, no mínimo, menosprezar a inteligência do eleitor. O tempo passa, os políticos se renovam, mas o quadro permanece o mesmo.


As velhas práticas (a velha política) resistem e ainda com mais força em face dos avanços tecnológicos de comunicação. As redes sociais que o digam!


É recorrente ouvir no segundo turno, não só em Campo Grande como no País afora, que o candidato com menor número de integrantes de sua coligação no Legislativo, se vitorioso nas urnas, terá dificuldade para governar! Somado a isso, a falta de apoio dos Poderes Executivo local e federal e ainda das respectivas bancadas federais. 


Essa é mais uma das criações férteis de enganação dos marqueteiros. Esta formatação vem da ideia de que o Executivo sem apoio do Legislativo não tem força para executar seus projetos - o que é verdade. Ninguém administra um município, um estado ou um país sem a ajuda dos legisladores. O poder político é assim, a democracia é assim. Na realidade, cria-se uma inverdade sobre fatos verdadeiros e os candidatos reproduzem a lição dada. Não por acaso, os altos honorários desses profissionais. João Santana que o diga!


Na democracia, a necessária maioria no Legislativo deve ser alcançada pela apresentação, por parte do Executivo, de projetos coerentes que reflitam não necessariamente o interesse deste ou daquele partido político, mas sim o interesse da coletividade. Ou seja, o interesse público. Ninguém é tolo politicamente de se posicionar contra os interesses dos seus eleitores.


Ora, trabalhar a ideia oposta é politicamente “cavar a própria cova”. A ideia reitora desse contexto é a de que o político é eleito para gerir o interesse da sociedade. Com efeito, a relação política entre Executivo, Legislativo e até mesmo entre Presidente da República, governador e prefeito deve ser institucional, independentemente de partido político ou coligação partidária. 


A prática do bom relacionamento institucional entre os políticos tem se revelado em vários momentos da nossa história. Apenas para se cingir a alguns exemplos, a boa relação que o então governador Zeca do PT teve com o governo Fernando Henrique Cardoso, do PSDB. A construção da ponte sobre o Rio Paraguai é um desses exemplos. Na capital paulista, o prefeito Fernando Haddad, conquanto do PT, institucionalmente usufruiu de um bom relacionamento com o governador Geraldo Alckmin (PSDB). O mesmo pode-se afirmar do governo Dilma e Alckmin; do ACM Neto (DEM), prefeito de Salvador, com o respectivo governador e a presidente Dilma, ambos do PT, e tantos outros.


Ora, ninguém fica no cabresto. O condutor é o interesse maior, isto é, o coletivo. A vinculação ideológica deste ou daquele político deve ser respeitada e louvada, pois é ai que reside o pluralismo político. Contudo, o interesse maior (coletividade) deve estar sempre à frente. Acordos políticos, desde que não sejam em função de interesses pessoais, são bem vistos.

Sabe-se que na realidade grande parte das chamadas “baixaria” nas campanhas eleitorais e os projetos faraônicos são arquitetados pelos respectivos marqueteiros e que são encampadas pelos candidatos.

Esquece o candidato, entretanto, que a partir do resultado das urnas, o marqueteiro, com o bolso cheio, sai fora e a responsabilidade recai sobre o candidato eleito.  


O candidato eleito, mesmo divorciado do seu marqueteiro, mas se for criativo e bem intencionado, com certeza, terá apoio do respectivo Legislativo, do governo local e federal, independentemente de sigla partidária. Oposição responsável também contribui nesse contexto. 


É o que se espera!


*José Carlos de Oliveira Robaldo é Procurador de Justiça aposentado. Advogado. Mestre em Direito Penal pela Universidade Estadual Paulista-UNESP. Professor universitário. E-mail jc.robaldo@terra.com.br

 

 



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